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quinta-feira, 19 de abril de 2012



ÍNDIOS BÓE-BORORO DÃO LIÇÃO DE HOSPITALIDADE AOS BRANCOS QUE VISITARAM A ALDEIA TADARIMANA, RONDONÓPOLIS-MT NO DIA DO ÍNDIO

(c) Paulo Isaac, 19/04/2012
Banquete comunitário na Aldeia para comemorar o Dia dos Índios.
A pedido dos índios, os primeiros a se  serviram foram os visitantes.
A hospitalidade indígena encantou os estudantes universitários presentes.
Foto: Paulo Isaac



O dia 19 de abril foi marcado por uma festa no estilo tradicional em Tadarimana. 
Os professores da Escola Indígena Tadarimana Marcelo Alves Coguiepa, Cesar Rondon Amim, Sandro Tubaikare, Leandro Wabo, Luciene, Iolanda Silva Bakoro Kurireudo, Eliane Enemare, Maria Divina Arruda e Maria Lina Toríedo realizaram com as crianças indígenas uma exposição dos desenhos e das pinturas corporais clânicos e receitas de alimentos tradicionais. 
Painel com pinturas de sinais diacríticos clânicos Bororo feito pelas crianças
e professores da Escola Indígena Tadarimana. Foto Paulo Isaac

Prof. Indígena Marcelo Alves Coguiepa e a Coordenadora da Secretaria Municipal de Educação de Rondonópolis, Dulcelene Rodrigues Fernandes. Foto: Paulo Isaac
Profª Indígena Iolanda Silva Bakoro Kurireudo, organizadora do Banquete Comunitário do Dia do  Índio. Ela  começou essa atividade, no primeiro ano, em sala de aula. Quatro anos depois tornou-se um evento que envolve a Comunidade de todas as aldeias da Área Indígena Tadarimana. Foto: Paulo Isaac
Valdemar Borobó, professor indígena na Escola Toribugo da Aldeia Praião. Também organizou  uma exposição didático-pedagórico. Valdemar é um dos 5 profissionais da educação contratados em Rondonópolis, em 1997. Foto: Paulo Isaac
A produção dos professores e estudantes ficaram expostas o dia todo em duas salas de aulas da Escola e no palizado - local onde se realizam as festas na Aldeia Central.
Painel com vários trabalhos expostos em uma sala de aula. Foto: Paulo Isaac
O material exposto no Palizado foi feito pelos indígenas da Aldeia Praião. Foto : Paulo Isaac

Além das exposições as mulheres da Comunidade, coordenadas pelos professores, organizaram um banquete só com comidas típicas. 
Comidas típicas Bóe-Bororo. Foto: Paulo Isaac
Foto: Paulo Isaac
Peixe com massa de arroz. Foto: Paulo Isaac
Batata doce. Foto: Paulo Isaac
Além da presença de toda Comunidade, estiveram presentes estudantes e professores dos cursos de História e de Enfermagem da UFMT. 

Na chegada à Área Indígena. Foto: Paulo Isaac
Estudantes e professores da UFMT em frente a uma sala de aula da Escola Indígena de Tadarimana.
Foto: Maria de Jesus
Este ano, Tadarimana comemorou o 15º aniversário de construção da Escola na Aldeia.


Trabalhador executa pintura do prédio de alvenaria da Escola. Foto: Paulo Isaac
Pintor trabalhando no prédio de alvenaria da Escola. Ao fundo  vê-se o teto de duas salas de aulas da educação infantil feitas de palha. Foto: Paulo Isaac
Esteve presente na comemoração dos 15 anos de inauguração da Escola Municipal Indígena "Leosídio Fermal" de Tadarimana,  o ex-secretário de Educação João Graeff (1997), que foi responsável pela construção do prédio e pela contratação dos primeiros professores indígenas de Mato Grosso, dentro da realidade do Projeto Tucum, realizado entre 1996 e 2000. 
Em seu pronunciamento, o Prof. João Graeff destacou a luta da Comunidade para conseguir a Escola, em 1996, liderada por Eduardo Kogue, Moacir Coguiepa, Prof. Paulo Isaac e outros índios
Prof. João Graeff, em 1997 era o Secretário de Educação de Rondonópolis.
Ele foi o responsável pela construção do prédio de alvenaria e pela contratação dos primeiros profissionais da educação indígenas. De 1997 até hoje nunca mais a Prefeitura ampliou a Escola. Os índios construíram duas salas de palha para atender a demanda. Foto: Paulo Isaac
Prof. João Graeff, do Depto. de Educação da UFMT, Campus Universitário de Rondonópolis,  tomando a xixa Bóe-Bororo, Foto: Paulo Isaac
O Prof. Paulo Isaac, que tem os nomes Bóe-Bororo de Juredugo e Kudoro Kaworo, foi convidado a se pronunciar, pois foi ele, juntamente com as lideranças da Área Indígena de Tadarimana, quem liderou a construção da escola na Aldeia, e, 1995. Nos dias 11 e 12 de dezembro de 1995 foi realizado um Seminário sobre Educação na Área e os índios pediram a construção da Escola na Aldeia Central. A antiga escola ficava a 6 km do local de moradia das crianças. Paulo Isaac lembrou da importância de algumas pessoas no processo de construção da Escola: Profª. Terezinha Furtado de Mendonça (SEDUC), antropólogas Edir Pina de Barros e Renate Brigitte Viertler, Padres Gonçalo Ochoa e Mario Bordignon Enawueréu (SDB), Irmãs Catequistas Franciscanas Maria Ossemer e Valdina Tambosi, Profª. da UFMT Sílvia de Fátima Pilegi Rodrigues, a Equipe da SEDUC, principalmente a Profa. Laura e o Prof. Tonico.
Paulo Isaac falando sobre a História da Escola. Foto: Pr. José Roberto

O Prof. Paulo Isaac relatou a luta dos Bóe-Bororo para terem professores indígenas: quase ninguém acreditava que isso fosse possível. Hoje temos 13 professores na Aldeia e todos são indígenas. Nas outras aldeias também, só temos índios como professores. Os Bororo venceram, mas ainda temos muito a conquistar. Por exemplo, a Prefeitura precisa ampliar a Escola para atender a educação infantil, o ensino fundamento e o médio. Ainda temos salas construídas de palha e não temos internet na Área de Tadarimana. Mas, com a nossa união, nós vamos conquistar tudo isso. Disse: lembremo-nos que começamos com apenas três contratações: "Sílvio Mario Oikare, Maria Divina Arruda e Beatriz Kiga. Logo em seguida, Palmira e Valdemar. E hoje, só temos professores indígenas".
Sílvio Mário Oikare, primeiro professor indígena Bóe-Bororo de Tadarimana contratado pela Prefeitura  de Rondonópolis estava presente no banquete Comunitário do Dia dos Índios. Foto: Paulo Isaac
Antes de partilhar a refeição comuntária, cacique Cícero Kudoropa falou sobre os desafios que as sociedades indígenas do Mato Grosso terão daqui pela frente, com as propostas de mudanças constitucionais que ameaçam os direitos indígenas. 
Cacique Cícero Tarzan da Silva Kudoropa ao lado de sua esposa Profª  Iolanda e de outros profissionais da Educação que trabalham em Tadarimana. Foto: Paulo Isaac

O Coordenador da FUNAI, Antonio Jukureakireu, que também é índio Bororo, ressaltou a importância da festa tradicional e agradeceu a presença dos alunos da UFMT. Ele reafirmou o temor do Cacique com relação à supressão dos direitos indígenas. 
Antonio Jukureakireu, coordenador da FUNAI de Rondonópolis. Está preocupado com as mudanças legais que suprimem os direitos indigenas. Foto: Paulo Isaac
Depois do banquete comunitário Bóe-Bororo, a festa prosseguiu com a realização de atividades esportivas, no período da tarde. 

FOTOS DOS UNIVERSITÁRIOS NA ALDEIA









domingo, 1 de abril de 2012


BARÉGE E-KEDÓDU - O BANQUETE DAS FERAS

COURO DE ONÇA SENDO PINTADO PELOS MEMBROS DO CLÃ AIPOBOREGE
Foto: Francielen Costa dos Santos, Tadarimana, 29/03/2012

O Barége e-kedódu - banquete das feras - é também conhecido entre os brancos como ritual do couro de onça. É um ritual que compõe o funeral Bororo. Quando uma pessoa dessa etnia morre, um homem é escolhido como seu representante.  Sua obrigação principal é vingar a morte do representado, abatendo uma onça cujo couro será dado a um parente do defunto. Esta onça (adugo) será denominada o móri (vingança ou retribuição). 
No dia 27 de março de 2012, quinta feira, a Aldeia Indigena Central de Tadarimana, Rondonópolis, Mato Grosso, realizou um Barége e-kedódu. A Aldeia recebeu índios de várias áreas indígenas e a cerimônia foi comandada por três grandes líderes da cultura Bororo: Eduardo Kogue, Raimundo Itogoga e Antenor Katiréu Bakarae.
Foto: Francielen Costa dos Santos, Tadarimana, 29/03/2012

Os dias que antecederam o ritual foi de muita movimentação na Aldeia. As mulheres dos clãs Kiedo e Aipoborege trabalharam na fazer o aróe kuro: um alimento líquido feito com milho, arroz e açucar e que é servido às pessoas durante os rituais, sobretudo os homens que entoam os cantos cerimoniais. Algumas pessoas chamam essa "bebida" de chicha, todavia, ao contrário do que acontece em outras culturas, a chicha Bororo não contem alcool, nem é fermentada.
Guerreiro bebendo o aróe kuroFoto: Francielen Costa dos Santos, Tadarimana, 29/03/2012

As mulheres também preparam a pasta de nonogo (urucum) que é é utilizada para pintar o corpo dos protagonistas do cerimonial. Ela feita com nonogo, leite de mangava/mangaba, resina de uma árvore e óleo de cabelo. 

Foto: Paulo Isaac, Tadarimana, Rondonópolis, 29/03/2012
Os homens trabalharam fazendo os enfeites corporais dos protagonistas do cerimonial. O Clã Kie fez o pariko (cocar) usado por Juredugo Kudóro Kavóro (Paulo Augusto Mário Isaac).

Enfeites visto na parte frontal e nas costas. Representa os sinais diacríticos do clã Kie. O desenho no rosto representa o bico do tucano. As plumas pretas, amarelas e azuis são de pássaros ligados ao clã.

Fotos: Silvia de Fátima Pilegi Rodrigues, Tadarimana, Rondonópolis, 27/03/2012.


Muga Nadir Ika pintando Juredugo Kudóro Kavóro (Paulo Isaac)
Foto: Fábio Nobuo, Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012.

Luiza Baguiago, irmã mais velha, desenhando o rosto de Juredugo Kudóro Kavoro
Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012
A pintura foi feita em frente a casa do clã, no lado norte da Aldeia, lugar da metade Ecerae
Enquanto as mulheres procediam a pintura, os homens começaram a cantar em frente à casa do finado, que era também do lado Ecerae. 
      Após a pintura corporal, Juredugo seguido pelos seus parentes do clã se dirigiram à casa do finado, em frente da qual os bakororo cantavam e as pessoas da comunidade os acompanhavam. Lá chegando, sentou-se na esteira sobre a qual estava o couro de onça
Foto: Francielen Costa dos Santos, Tadarimana, 29/03/2012

O outro e mais importante protagonista do ritual (ele é o representante do finado, o guerreiro portador do couro de onça), Vagner Iwaguduge Cereu chegou ao local acompanhado de pessoas do seu clã e portando em uma bandeja um colar com os dentes da onça e um par de braceletes.

Vágner sentou-se ao lado de Paulo Isaac, sobre o couro de onça. 
Foto: Francielen Costa dos Santos, Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012.

            Sobre o couro de onça, além dos protagonistas, estava também a bandeja com os adornos de Vágner e uma Ika (flauta Bororo). 

                Após dois cantos, um homem pegou a Ika de cima do couro de onça e começou a tocá-la, caminhando para o lado oeste do pátio da aldeia, acompanhado por algumas mulheres.
                Em seguida, Vagner levantou-se do couro de onça e foi levado por uma mulher, para o lado direito, para banhar-se. Juredugo também o acompanhou e lhe foi jogada água sobre o corpo. 

Foto: Francielen Costa dos Santos, Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012.
                Em seguida, os dois protagonistas voltaram a sentar-se sobre o couro de onça, com os rostos voltados para o lado oeste. Os bakororo voltaram a cantar.
                Neste momento, o tocador de Ika voltou, entregou o instrumento ao chefe da casa. Uma mulher, Jucila pegou o couro de onça e saiu correndo em direção ao lado oeste, no espaço Aipoborege, onde os membros da metade clânica Tugarege os esperavam. Colocou o couro sobre duas esteira, com o lado pintado para cima. Os homens deste clã começaram a enfeitar o couro, pendurando nele plumas de arara (kudoro) e gavião (urubuga). A pintura usada no couro foi feita com resina preta e tinta de urucum. Só os homens participaram da decoração.

Fotos: Francielen Costa dos Santos, Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012.
                Terminada a decoração do couro, um homem baadojeba-Ecerae (Martin) colocou o Vagner sobre suas costas e correu carregando-o na direção leste, em frente a casa do finado. Juredugo e o resto da comunidade correu atrás.
Foto: Francielen Costa dos Santos, Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012.
                Chegando em frente à casa do finado, os dois protagonistas sentaram-se novamente, agora somente sobre a esteira.
                Neste momento Vagner recebeu a pintura corporal e o corte de cabelo. 
Foto: Francielen Costa dos Santos, Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012. 
                Em seguida, Vagner recebeu os ornamentos de braço e o colar com os dentes e garras da onça.
Foto: Fábio Nobuo, Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012.
   Enquanto isso, Raimundo Itogoga, iedaga (padrinho) de Juredugo Kudóro Kavóro (Paulo Isaac) colocou-lhe o cocar.
Foto: Fábio Nobuo, Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012.
Em seguida, Raimundo pegou um instrumento de cabaça e entoou um canto. Ao terminá-lo, o guerreiro recebeu um arco e flecha. 
Foto: Francielen Costa dos Santos, Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012.
Os protagonistas dançaram, cada qual com uma mulher, ao som dos cantos cerimoniais.
 Foto: Fábio Nobuo, Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012.
         Enquanto as duas mulheres dançavam, as mulheres mais velhas ensinavam a uma delas (a mais jovem) como eram os passos corretos e os movimentos dos braço. 

          No encerramento desse ritual, enquanto as pessoas dos clãs diretamente envolvidos foram às suas casas buscar os alimentos e bebidas a serem servidos para toda a comunidade, o restante dirigiu-se para o lado oeste do baito (casa grande, central da Aldeia). 
          Logo, chegaram as guloseimas que foram dispostas sobre esteiras.
  Bolinho de arroz, bolachas, pães, bebidas: aróe kuro, suco de uva e geladinho.  Foto: Fábio Nobuo, Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012.
                 Os protagonistas ficaram entre a esteira com os alimentos colocados em bandejas feitas de palhas de babaçu e o baíto (casa central), com o rosto virado para o por do sol. Os membros da Comunidade os circundaram e as crianças ficaram mais próximas.
                Inicialmente as mulheres que ofereceram o banquete se dirigiram aos bakororo (cantores cerimoniais) e os levaram pelas mãos para servir-se. Eles e os dois protagonistas e os anciãos tiveram primazia. 
Foto: Fábio Nobuo, Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012
          Depois, toda a Comunidade pode servir-se. A bebida mais concorrida foi o aróe kuro. Havia comida e bebida para todos se fartarem.
                Observou-se que a medida em que as pessoas eram conduzidas para se servirem, as outras gritavam alegremente, festejando.
                Terminado o banquete, as pessoas dispersaram. As mulheres recolheram as esteiras, bapos e restos de alimentos e bebidas e os levaram para suas casas.
                Neste momento, o bakororo Raimundo Itogoga recebeu o couro de onça, posicionou-se no centro da aldeia, com o rosto voltado para o sol poente e com as duas mãos segurando o couro pôs-se a cantar. Enquanto cantava, ele abanava com o couro, em uma postura frontal. A parte da estampa do couro estava voltada para baixo e a parte decorada para cima.
Foto: Francielen Costa dos Santos, Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012

Atrás, ficaram alguns homens e o restante da comunidade circundavam o bakororo. Em um dado momento, um parente do finado foi até Raimundo, pegou o lado esquerdo do couro e chorou copiosamente. Raimundo respeitou o gesto do parente do finado e, depois que ele se retirou, prosseguiu o seu canto cerimonial. Ao final de cada canto, os homens gritavam.
                Quando Raimundo terminou o ritual de canto, os homens todos gritaram e ergueram o braço direito com os punhos fechados (o sinal típico de vitória).
                Ao poucos as pessoas foram se retirando. As mulheres retornaram às casas, as crianças se espalharam pela aldeia para brincarem. Os homens, uns voltaram para suas casas e outros ficaram conversando no centro da aldeia.
                Na casa da muga Nadir, o clã esperava por Juredugo, Sílvia, Igor e os colegas da Universidade. A eles os Kiedo serviram carne assada e farinha.
                Aos poucos as pessoas foram embora.
                Já era noite em Tadarimana.

AMIGOS DE JUREDUGO QUE FORAM VER A COROAÇÃO E O RITUAL

Vitor, Jovelina, Alexandra, Sofia, Krisley, Fábio e Gilberto
Tadarimana, Rondonópolis, MT, 27/03/2012

2.       Adalto Vieira Ferreira Jr – pesquisador e bolsista – foi encarregado de fazer a filmagem com a filmadora amadora do Museu.
      Alexandra Pimentel de Lima – Estudante de História, participou do Ipáre, e foi  com função de fotógrafa. 
3.       Francielen Costa dos Santos – pesquisadora e bolsista – foi encarregada de fazer as anotações em caderno de campo.
       Prof. Ms. Fábio Nobuo – professor de Economia, foi como visitante e assumiu a função de fotografar com a máquina profissional do Museu.
4.       Gilberto Inácio da Silva – funcionário da UFMT e estudante de História, encarregado de fazer a filmagem com a filmadora profissional. 
       Igor Rodrigues Isaac - meu filho
       Jovelina Carlini Rocha – estudante de História, participou do Ipáre, e ficou encarregada de filmar com a filmadora amadora da UFMT. 
       Profa. Dra. Krisley Mendes – professor de Economia foi como visitante e forneceu vagas no seu carro para levar parte da equipe de trabalho.
            Profa. Dra. Sílvia de Fátima Pilegi Rodrigues – professora do Depto. de Pedagogia, deu suporte logístico aos outros trabalhadores. 
       Profa. Dra. Sofia Inês Niveiros – professora de Ciências Contábeis foi como visitante e forneceu vagas no seu carro para levar parte da equipe de trabalho.
5.       Vitor Pedrosa Mella – bolsista do Departamento de vídeo da UFMT e estudante de História, encarregado de dar suporte aos cinegrafistas e fotógrafos.
Sofia, Muga Nadir, Juredugo e Silvia. Na ponta Krisley
Igor é o menino com o boné na mão.
Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012
Francielen, de boné alaranjado. Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012


         

Adalto, de costas, filmando. Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012


Paulo Augusto Mário Isaac, em Bororo Juredúgo Kudóro Kavóro. Rondonópolis, Tadarimana, 27/03/2012
Foto: Sílvia de Fátima Pilegi Rodrigues






quinta-feira, 22 de março de 2012

PAULO ISAAC SERÁ COROADO PELOS ÍNDIOS BORORO NESTE FINAL DE SEMANA

  Os dias 23 a 25 de março de 2012 serão de celebrações na Aldeia Indígena Bóe Bororo de Tadarimana, em Rondonópolis, Mato Grosso.
  O antropólogo Paulo Augusto Mário Isaac, que em abril de 2011 foi "batizado" pelos índios Bororo e recebeu os  nomes de Jure Edúgo (pintas do sucuri) e Kudóro Kaworo (arara azul), receberá de seu clã Kie o pariko (cocar) com o qual poderá participar de todos as cerimônias dessa etnia. 
    No mesmo final de semana os índios realizarão um ritual denominado Barége e-kedódu - o banquete das feras. 
O PARIKO BORORO
Pariko
É o mais vistoso e característico enfeite de cabeça (cocares, diademas) produzido pelos índios Bororo. É um diadema de penas de araras e de outras aves cujo colorido representa complicados significados referentes aos clãs dos homens que o possuem.
Seu uso cerimonial é associado a outros adornos de cabeça, braços e cintura que formam um belíssimo conjunto acompanhado pela pintura homônima, ou seja, de equivalência significante correspondente ao clã do seu dono. Desde as plumas à taquara nas quais elas estão presas, o desenho e a estética são carregados de significados relacionados ao rico simbolismo Bóe-Bororo.
Conforme relatam Albisetti e Venturelli (Enciclopédia Bororo Vol. I, p. 409) os parikos têm os atilhos amarrados no occipício e são colocados na parte anterior da cabeça, inclinados para frente com um ângulo de mais ou menos 45°.
Não são insígnias de chefes como se poderia supor, mas podem ser empregados por todos os homens, e, em circunstâncias limitadas e muito especiais também por mulheres.
Todos os clãs possuem determinado número de diademas os quais lhes são privativos.
A disposição, qualidade e cor das penas constituem o distintivo dos clãs e sub-clãs dos quais os diademas são privativos.
Geralmente o pariko forma um conjunto de plumas em três dimensões justapostas, tendo uma base com penas menores, outra em seguida e a terceira com plumas grandes (da cauda das araras). 
O pariko é usado nos eventos cerimoniais de toda ordem e servem para identificar seus portadores quanto ao clã que eles pertencem e os seus significados na cosmologia Bororo.
Existem vários exemplares de diademas, cada qual com os enfeites de seu clã.
Uma vez que um homem recebe o nome Bororo, cabe ao seu padrinho (pertencente ao mesmo clã) confeccionar o seu pariko.

Antropólogo Juredúgo Kudóro kawóro Paulo Isaac será coroado pelos Bororo
                A cerimônia será realizada neste final de semana, dias 24 e 25 de março de 2012, na Aldeia Indígena Tadarimana. Pessoas Bororo de todas as Áreas Indígenas do Mato Grosso estão chegando a Rondonópolis para participar deste evento e de um ritual denominado Barége e-kedódu, que significa banquete das feras. Trata-se do mori (recompensa, retribuição, reparação à perda por morte de entes queridos), também conhecido como ritual do couro de onça.

Histórico sobre a coroação
Nadir Ika
                Nos dias 18 e 19 de abril de 2011, o antropólogo da UFMT, Prof. Dr. Paulo Augusto Mário Isaac foi introduzido na Sociedade Indígena Bóe-Bororo.
                Ele recebeu de sua muga Nadir Ika, mãe cerimonial e matriarca de seu clã Kie, o nome de Jure Edúgo, que significa pintas do sucuri. De seu iedaga (padrinho, aquele que lhe impõe o nome) Raimundo Itogoga recebeu o nome de Kudóro kawóro, que significa Arara azul, também conhecida como arara preta porque ela é totalmente azul e suas penas têm um fundo preto. É importante enfatizar que as pessoas Bororo podem ter um, dois ou mais nomes.
Raimundo Itogoga - chefe cultural Bóe Bororo

                Onze meses após receber o nome Bororo e ser inserido no clã Kiedo Ecerae, Jure Edúgo Kudóro Kawóro vai ser coroado pelos índios no domingo, dia 25 de março de 2012.
                O pariko que Paulo Isaac receberá foi confeccionado em três camadas de plumas e é denominado paríko coréu porque sua base é preta, feita com penas de mutum. A segunda faixa é amarela com três listras pretas. A parte superior é constituída de plumas azuis com um detalhe vermelho. As zonas alternadas de plumas pretas e amarelas e pretas e vermelhas são privativas de um sub clã Kíe.

O banquete das feras
O Barége e-kedódu é um ritual que compõe o funeral Bororo. Quando um Bororo morre é escolhido um seu representante denominado aróe maíwu (alma nova) ou iádu (companheiro), cuja obrigação principal é vingar a morte do representado, abatendo uma onça cujo couro será dado a um parente do defunto. Esta onça (adugo) será denominada o móri (vingança ou retribuição). Deve-se observar que os índios acreditam que a morte seja causada por um bope (algum espírito malfazejo). Os bopes utilizam-se dos animais carnívoros para praticarem suas maldades. Matando um felídeo, os Bororo acreditam que eliminam um bope, efetuando-se, assim, a vingança. Precede ao ritual do barége e-kedódu (banquete das feras) uma manifestação coletiva e social denominada Aróe E-méru, que significa caçada em honra às almas. Os caçadores iniciarão os preparativos na sexta feira (23) ao anoitecer, com uma refeição em comum na casa central da Aldeia, denominada bái mána gejéwu ou simplesmente baito. Terminado o banquete, os homens entoam cantos que duram a noite toda. Ao amanhecer, eles saem para a caçada e abatem os animais em quantidade para a realização do banquete das feras, que ocorrerá no domingo, dia 25 e deverá alimentar todos os Bororo da tribo presentes ao evento.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A ANTROPÓLOGA DRª RENATE BRIGITTE VIERTLER FARÁ A CONFERÊNCIA DE ABERTURA DO I SEMINÁRIO REGIONAL DE HUMANIDADES DA UFMT, CAMPUS DE RONDONÓPOLIS - MT

Drª Renate Brigitte Viertler no Museu Indígena Bororo da Aldeia Merúri

Abertura: Segunda feira, dia 17 de outubro, das 7h30min. às 11h.
Local: Anfiteatro da UFMT - Campus Universitário de Rondonópolis
Convidado especial: Prof. Indígena Bororo Félix Adugo Enau Rondon - Coordenador de Educação Indígena da SEDUC-MT.
Coordenador da mesa da Conferência de abertura: Antropólogo e Historiador Prof. Paulo Isaac

A antropóloga Dra. Renate Brigitte Vietler, da Univesidade de São Paulo, fará a conferência de abertura abordando o tema "História e Linguagem Bororo". Segundo Renate, "a História contada pela Academia é contada a partir de documentos escritos e fatos. A História dos Bororo, assim como da maioria das sociedades indígenas é contada por meio dos seus mitos de origem. É uma linguagem diferente".
Paulo Isaac: "A abordagem a ser feita pela Dra. Renate será inédita para os profissionais das Ciências Humanas de Rondonópolis e região. É uma perspectiva diferente que nos revelará o modo diferente de
abordagem da história e da linguagem. Será riquíssimo para todos nós compreendermos os elementos teóricos de dois enfoques com concepções de mundo tão diversos."
QUEM É A DRA. RENATE BRIGITTE VIERTLER
Nascida na Alemanha, formou-se em Ciências Sociais pela USP, onde, posteriormente, foi professora e pesquisadora. Desenvolve estudos junto aos Bororo do Mato Grosso, desde 1965, enfocando a sua organização social e religião. Dentre as suas principais obras constam os livros "A Refeição das Almas", que trata do funeral Bororo e "A Duras Penas - Um histórico das relações entre os índios Bororo e os 'civilizados' no Mato Grosso". Renate foi banca de mestrado na defesa do Prof. Paulo Isaac sobre o Drama da Educação Escolar Indígena Bóe-Bororo, em 1997, e que deu origem ao livro do mesmo nome. A pesquisadora em etnologia brasileira é considerada uma das principais estudiosas dos Bororo.
MINI CURSO: A HISTÓRIA DOS BORORO
Além da conferência de abertura, Renate vai ministrar um mini-curso sobre "A História dos Bororo". O mini-curso terá 10 horas de carga horária e será ministrado: segunda feira, dia 17, das 13h às 17h, visita à
Aldeia Indígena Tadarimana. Quinta e sexta feira, das 13h30min. às 17h30min., na sala 19 do prédio principal do Campus Universitário de Rondonópolis, aulas sobre o tema.
As inscrições podem ser feitas até segunda feira de manhã

sábado, 1 de outubro de 2011

ELEIÇÃO DO CONSELHO TUTELAR GEROU MAIS INDIGNAÇÃO
Cláudia Silvia Fernandes Batista

Querido Prof. Paulo Isaac. Para completar um pouco mais sua indignação quanto ao seu artigo publicado neste blog, a respeito das eleições no Conselho Tutelar, nas duas regiões I e II ocorreram essas demonstrações claras de falta de noção sobre a função ética e respeitosa do Conselheiro Tutelar.
Na região I, inclusive, teve "mesários" fazendo boca de urna, na entrada dos eleitores para a sala de votação.
De acordo com as normas, os candidatos não poderiam estar a menos de 200m. do local. No período vespertino, eles estavam na porta da Escola Sagrado,entregando "santinhos" e pedindo votos.
O pior de tudo é conceber a idéia que os eleitos lidarão com normas de conduta e resgate de valores em famílias desestruturadas, com crianças e adolescentes cheios de desafetos. Que tipo de orientação "esses conselheiros" darão? Será que farão como os vereadores, algum tipo de acordo para a solução desses problemas, também?
E a Promotoria Pública onde está para averiguar esta situação?

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N.R. É, Cláudia, os poderes instituítos estão precisando rever suas concepções e suas práticas. O povo não aguenta mais tanto desmando e tantas ilegalidades sendo referendadas pela Justiça. É revoltante.
HISTORIADORA DRª MARIA ELSA MARKUS FALA SOBRE A GREVE DOS DOCENTES DA UFMT E O RETORNO ÀS AULAS


Drª Maria Elsa e seu filho Sanji Aluísio

Concordo com você, com sua avaliação. Tivemos ganhos sim, com a greve recém chegada ao fim, ainda que eles tenham ficado aquém das nossas expecativas, como você bem disse. Nesse sentido, não sinto vergonha (como querem alguns) por termos voltado, mas me sinto envergonhada sim, pela pequena(ou nenhuma?) consciência política demonstrada pela maioria ausente da nossa categoria. Se na Educação Superior revelamos esse descompromisso; essa falta de consciência sobre a importância de uma participação ativa e da permanente necessidade de nossas lutas, o que esperar das demais categorias de trabalhadores?
Quero realçar os grupos de trabalho mencionados por você, que foram constituídos na finalização do movimento grevista. Primeiro, porque eles demonstram que a luta continua, só que por meio de outros meios, o que é preciso que todos da categoria tenham claro. Também, pela importância que tais  grupos têm, posto que instituem uma marca educativa e pedagógica na luta, o que, parece-me, ser um elemento novo entre nós, em nossas lutas sindicais. Tais grupos, eu os entendo como educativos e pedagógicos, por se tratarem de instâncias que tornam possível conhecer e entender melhor a instituição em que labutamos no ensino, pesquisa e extensão;oportuniza-nos ter claro que a categoria não é homogênea em suas expectativas, interesses e compromissos, e se encontra em momentos distintos na sua relação institucional, o que coloca, por outro lado, que é preciso não perdermos de vista que existem professores que estão a muito tempo na UFMT; outros, a um tempo menor e alguns são recém chegados.
Portanto,conhecê-la a partir das políticas, das ações que lhe são constitutivas (ou então, da ausência destas), avalio eu, permite um aprendizado em que aqueles que se envolvem deixam de pensá-la como um ente abstrato, externo a nós, mas que nós somos a instituição! Assim sendo, essa fase de luta em que nos encontramos, atuando em diversos grupos de trabalho, permitirá, além de arrolarmos demandas não atendidas pelos gestores - Reitorado - e destes cobrar maior celeridade no cumprimento de suas obrigações institucionais, também pensar sobre a responsabilidade que todos temos, individual e coletivamente: professores; coordenadores de ensino de graduação;chefes de departamentos; diretores de institutos; pró-reitoria; técnicos; supervisores, estudantes etc. - em se tratando do Campus local,  no sentido de tornar a Universidade Federal de Mato Grosso mais competente, com maior agilidade e com melhor qualidade nos serviços que presta aos seus demandantes. Aliás, aprendizado útil e necessário para nós, que lutamos pela criação da Universidade Federal de Rondonópolis!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

CURSO DE ECONOMIA REALIZA
 II SIMPÓSIO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO SUL DE MATO GROSSO

De 05 a 07 de outubro de 2011

Coordenação: Dr. Luís Otávio Bau Macedo


Com as presenças dos economistas doutores Homero Dewes (CEPAN/UFRGS) e Lucílio Rogério Alves (CEPEA/ESALQ), o Curso de Ciências Econômicas da UFMT/Campus de Rondonópolis fará a abertura do Simpósio, cujo início está marcado para as 19h do dia 05 de outubro, no Anfiteatro da Universidade - Estrada Rondonópolis-Guiratinga, km.6, zona leste da cidade. Os conferencistas trabalharão, respectivamente, os temas "inovação e pesquisa no agronegócio" e "competitividade na produção de algodão no cerrado.

Profª Krisley Mendes

No dia 06 de outubro, três palestras movimentarão as atenções dos participantes interessados na área econômica: "a criação do NEPESA - Núcleo de Pesquisas Esconômicas Sociais e Ambientais" (conferencista Mestre Krisley Mendes - UFMT-CUR); "Perspectivas, tendências e desafios da pesquisa no agronegócio de Mato Grosso" (Conferencista: Dr. Eros Bohac Franscisco - Diretor de Pesquisa Aplicada da Fundação Mato Grosso) e "atuação da Companhia Nacional de Abastecimento na política de garantia de preços mínimos" (Conferencista: Charles Cordova Nicolau (Gerente de Operações da CONAB).


No dia 07 de outubro, três importantes palestras: 1) O projeto de estágio supervisionado e atividades complementares do curso de Ciências Econômicas (palestrante: Mestre Leandro Pessoa - UFMT/CUR); 2) Desafios do escoamento da produção agropecuária matogrossense: a opção ferroviária (conferencista: Francisco Vuolo - Secretário de Estado de Lógística de Transportes) e 3) Linhas de atuação do ILCA - Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (palestrante: Marcos Ortega - Coordenador de Agronegócio e comércio.


Nos três dias, durante o período vespertino, das 13h às 17h, haverá apresentação de trabalhos de iniciação cientifica.

As inscrições podem ser feitas na Coordenação de Ciências Econômicas no Campus de Rondonópolis.
Valor do investimento: Estudantes R$ 10,00; Professores R$ 20,00; Comunidade R$ 30,00

Inscrições e presenças dão direito ao certificado do evento

Realização: UFMT/CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS - FAPEMAT - FUNDAÇÃO UNISELVA